João Maraschin, vencedor do 23° Prêmio UCS.Sultextil, desfila na semana de moda de Londres

Coleção de João Maraschin, durante a Semana de Moda de Londres. (Foto: Divulgação)

O talentoso designer João Maraschin foi o grande vencedor do 23° Prêmio UCS.Sultextil, em 2011, concurso realizado semestralmente em Caxias do Sul.

Com uma visão de moda fresca e sustentável, o designer deu um passo importante na carreira quando, na semana passada, apresentou a coleção de inverno 2020 da marca homônima, no desfile coletivo da London College, que abriu a temporada de moda de Londres.

Para Maraschin, a coleção de formatura do mestrado em design de moda teve como inspiração a condição de estrangeiro que ele adquiriu durante o tempo que esteve no eixo Brasil-Inglaterra. “Tudo começou com a vontade de criar um processo colaborativo baseado em vivências diferentes”, conta o designer que anteriormente trabalhou como coordenador de estilo de Ronaldo Fraga.

Chamada de “Foreigner Traveller” (Viajante estrangeiro), a coleção exibiu peças confeccionadas com matéria-prima orgânica e outras experimentais — caso da Elephant Leaf, uma espécie de couro feito de folhas.

Depois do desfile, as peças foram exibidas para compradores em dois showrooms, o 50mLondon – projeto dedicado a novos designers – e o Positive Fashion, plataforma do British Fashion Council, na qual João vai apresentar coleções por mais duas temporadas.

Abaixo, você confere a entrevista que João concedeu à revista britânica Love, durante a abertura da semana de moda de Londres:

LOVE: Qual foi o ponto de partida da coleção?

João Maraschin: Eu sou do Brasil e a coleção foi chamada de “viajante estrangeiro”. Quando cheguei aqui há cinco anos, me senti um estrangeiro até começar a explorar e expandir meus horizontes, de modo que comecei a sentir que também fazia parte desse território. Então, toda vez que voltava ao Brasil, sentia que era o estrangeiro lá. Por esse motivo, comecei a explorar o Brasil. Uma das coisas que sempre me ocorreu é que a sustentabilidade hoje em dia não é mais negociável, portanto, por esse motivo, o ponto de partida da coleção foi sobre a tentativa de dialogar como estrangeiro, chegando a um novo local.

Estou trabalhando com um novo material chamado Elephant Leaf, uma planta que você cozinha no Brasil. Na verdade, sou o primeiro designer a lançar isso, especialmente na passarela. O Brasil é o terceiro maior produtor de seda do mundo, 98%  vai para a França e apenas 2% fica no país. Como há desperdício nessa produção, essa nova empresa começou a desenvolver esse fio chamado fio primitivo, que é basicamente muito, muito áspero. Então, por que não desafiar um material que é bruto? E bastante áspero? E ver o que acontece com isso?

LOVE: Que desafios você encontrou ao longo da criação desta coleção?

João Maraschin: Como esta é a primeira coleção da minha marca de mesmo nome, a maior parte do modelo de negócios foi baseado em torno da colaboração. Então acho que o maior desafio foi praticamente negociar todas essas colaborações em todo o mundo. É uma logística bastante grande, especialmente quando você é uma empresa de uma pessoa só, mas foi realmente interessante. Chamei a atenção do British Fashion Council. Eu vou mostrar minha coleção.

LOVE: Se você resumisse a coleção em uma frase, como a descreveria?

João Maraschin: Eu acho que a ideia de ser estrangeiro, em tempos especialmente polarizados, é muito difícil e muito desafiadora, mas, ao mesmo tempo, é muito bonita. É incrível porque você conhece pessoas incríveis e elas fazem você crescer.

As experimentações quanto a forma e matéria-prima do designer se mantém ainda fiéis as que ele apresentou durante o Prêmio UCS. Sultextil. E esse se consagra como um ponto altamente positivo na identidade dele como criador. A Sultextil deseja vida longa ao trabalho de João Maraschin!

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